terça-feira, 22 de novembro de 2011

AS LUZES DO NATAL
            Ele era um sujeito pacato que gostava festas, brincadeiras e outras coisas, mas na sua vidinha medíocre havia algo que nem ele próprio sabia explicar: Ele odiava o natal, não só o natal, mas o mês de dezembro inteiro.
            Quando chegava a data fatídica, ele se escondia para que ninguém lhe encontrasse para aqueles abraços esfuziantes e felicitações que sempre considerava falsas e momentâneas. Odiava as luzes, os enfeites, Papai Noel e, sobretudo a maldita Árvore de Natal.
            Toda vez que vislumbrava uma árvore de natal, tinha vontade de chutar, quebrar aquelas bolas coloridas ridículas, guisar aqueles festões metálicos e pipocar com os pés as lâmpadas coloridas uma a uma para liberar ali, toda a sua raiva.
            A cada ano, quando a data se aproximava, vinha a angustia de ter que se esconder e evitar olhar o seu objeto de ódio.
            Certo dia, no fim do mês de novembro, ele estava atrás do balcão da loja de ferramentas em que trabalhava, viu ao longe uma movimentação de pessoas num posto de gasolina. Os funcionários estavam decorando o estabelecimento para as festividades do natal como de costume no comércio para atrair fregueses. Mais uma vez ele angustiadamente se perguntou: Porque odeio tanto o natal? Não só o natal, mas tudo o que ele representa? Passou quatro horas observando a movimentação e fazendo a si mesmo a mesma pergunta como se fosse um mantra maldito. De repente, ele entrou numa espécie de catatonia e do recanto mais profundo do seu inconsciente veio uma lembrança que lhe fez entrar num pranto tão violento que precisou fugir da loja sem explicar para ninguém o motivo. Só se sabe que no dia seguinte faltou ao trabalho para ir à cidade e comprar tudo para receber Papai Noel: árvore, bolas, guirlanda enfim dezenas de enfeites para decorar a casa humilde em que residia de favor.
            A lembrança veio de sua infância miserável junto com sua numerosa e infeliz família. Quando muito criança ainda, perguntou a sua mãe: Mamãe, porque nos não temos árvore de natal como todo mundo?  A mãe, com os olhos cheio d’água, respondeu: Meu filho, se eu comprar uma árvore de natal, nós vamos ficar o mês de dezembro inteiro sem comer,
            Ele não entendeu muito bem a resposta, mas não questionou, pois estava acostumado (se eu comprar isso, vai faltar aquilo) e se voltou as brincadeira com um coelho de pano costura à mão pela mãe e os outros brinquedos feitos por ele mesmo.  Foi quando o irmão mais velho, muito responsável disse; Vamos fazer a nossa própria árvore.
            E assim foram todos os irmãos buscar os elementos para fazer a árvore. O mais velho foi atrás de um galho seco e frondoso pelas redondezas enquanto os menores procuravam papeis coloridos e brilhosos de balas para embrulhar as pedrinhas e amarrar com linha de costura para fazer as “bolas” que enfeitariam a árvore tão sonhada. Em algumas horas, a árvore mais linda do mundo estava pronta e todos ficaram adorando aquela que tinha sido o produto de um trabalho em equipe que funcionara tão bem. A mãe, orgulhosa do feito dos filhos chorou de alegria. Foi quando o pai, criatura amarga e cruel, chegou e disse: Que putaria é essa aqui! E largou um chute destruindo aquele trabalho maravilhoso dos pobres irmãos.
            Os pequenos ficaram sem entender e se recolheram no seu medo e o mais velho foi chorar num canto jurando silenciosamente matar aquele filho de uma puta sem coração.
            No ar ficara a sentença: Não nascemos para ter essas coisas e o ocorrido fora esquecido, mas marcara aquela família toda para o resto de suas vidas.       

sábado, 19 de novembro de 2011

NO COLETIVO 2

                Cosme era um soldado raso da polícia militar a 10 anos. Quando entrou, tinha completado 20 anos e terminado o segundo grau numa escola do Estado no município de Coari. Seu conhecimento era muito limitado e fora aprovado em um “conselho de classe” porque havia uma lei que ditava que alunos em conclusão não podiam ser reprovados.
                Cosme gostava de dançar lambada de quinta a domingo num arremedo de boate às margens do lago e ficar de sacanagem com uma puta famosa do lugar conhecida como Flu-Flu (o nome era uma alusão a frouxidão de sua vagina, como diziam todos do lugar), que topava qualquer parada por “dez contos” ou uma garrafa de “Chora Rita”. Com tanta diversão, estudar ficava em último plano e as notas iam caindo cada vez mais, principalmente em matemática e física (“era, segundo os pais, ”ruim com os números”).
                 Se envolveu com uma galera da pesada e teve que ser deportado para Manaus para não levar as facadas prometidas pelo chefe da outra galera, da qual eram rivais. Foi morar na casa de um parente distante que era tenente e que ia lhe arrumar uma “peixada” para ingressar na polícia.
                O tenente prometeu e cumpriu sua palavra.
                Depois de uma prova, Cosme foi admitido, não se sabe como para ingressar na vida de militar.  No começo era honesto e correto, mas arrumou amizade com outro soldado pilantra e começou a praticar atos que iam contra os princípios desejados pela corporação.
                Eram 08h00min da manhã quando Cosme entrou pela porta da frente do ônibus lotado que ia da Cidade Nova para o Educandos, próximo ao terminal do São José, pois terminara o seu turno 24 horas. Ajeitou-se entre os passageiros civis com os olhos vermelhos de sono (a noite tinha sido bem agitada).  O pênis repousava murcho sobre os testículos apertados contra a braguilha da calça que apertava muito por causa da gordura acumulada pela falta de exercício e excesso de comida de má qualidade ainda molhado de esperma da curra que ele e o soldado Damião deram num rapaz flagrado numa boca de fumo num beco obscuro do bairro São José e, ao lembrar-se da situação ficou excitado, tentando esconder com a mão o pau que endurecia contra o ombro de um passageiro que estava sentado na cadeira do corredor, que percebera, mas não falou nada em respeito à autoridade que a farda impõe. Só pensava em chegar a casa (um quarto num “muquifo” onde moravam mais dois policiais pilantras que negociavam drogas apreendidas com os traficantes locais). Deitou-se na rede fedorenta a mofo para dormir e pensar no que fazer depois, pois tinha feito uma merda muito grande e estava muito cansado para se preocupar naquele momento .
                Foi o soldado Damião quem dera sugestão: _ Vamos enrabar alguém hoje Cosme e não discute porque to afim de foder e vai ser aquele viado que tá saindo do beco. Vamos lá abordar!
                _Tá fazendo o quê por aqui? Encosta na parede agora que a gente vai de dar um “baculejo”! Vai, porra! E o sujeito, amedrontado diante da ordem, obedeceu. Abre a perna, porra! Mão aqui, mão ali e Damião encontrou a trouxinha com a droga. Olha ai, filho da puta! Tá com “bagulho” no fundo da cueca! Encosta! Encosta!
                E Damião e Cosme levaram o rapaz para uma parte escura de um terreno baldio que tinha próximo da entrada do beco e, como de costume não era visitado por ninguém, exceto por alguns viciados que não tinham onde consumir a sua droga. Damião continuou o “baculejo”, mas se atendo principalmente na bunda e no pênis do rapaz, que já percebera a intenção dos dois e já estava excitado com a situação, embora não fosse homossexual, mas já experimentara da “fruta” e gostado. Damião sacou o pau rijo para fora da calça e disse: Chupa filho da puta, se não quiser ir “pro xilindró”!  E aí Cosme, mete o teu pau nele!
                Cosme, meio sem jeito tirou o seu pau (que media 23 centímetros) e o rapaz assustado disse: “péraí” esse cara vai me arrombar! _ Num quero saber, se num encarar vai ter que pagar “três mil conto” pra se livrar do flagrante. Eu, num tenho isso, disse o rapaz amedrontado. Então agüenta, falou Damião!
                Cosme não queria, mas ao ver o moleque chupar desajeitadamente o pau de Damião, ficou excitado (já havia experimentado em Coari e gostado). _Tô sem camisinha, disse. Foi Damião que disse: _Mete porra! Num tá vendo que ele é “limpinho”! E Cosme meteu.....com tudo que tinha direito ( o rapaz, estuprado só gemeu de dor.  Não podia dizer nada diante da autoridade da polícia e deixou-se, passivamente, ser agente da ação).
                Damião encheu a boca do rapaz de esperma e disse: engole porra! E o rapaz obedeceu para fugir do flagrante. Cosme também gozou com vontade. O rapaz bateu uma punheta e gozou também.
                Ao final de tudo, Damião pegou a droga do rapaz misturou com um punhado de maconha que tinha bolso e teceu um “tarugo” para os três fumarem juntos. Quando os três, inebriadas pelo efeito da droga recostaram na parede imunda do lugar em que estavam. Foi quando o rapaz, relaxado, depois de gozar com dois machos de uma vez (era a sua primeira vez e estava todo arrebentado) disse: Não deu tempo de dizer para vocês, mas sou soro-positivo, e agora?     

domingo, 6 de novembro de 2011

ANATÔMICA 5
MAMILOS
Mamilos
Eis que os observo
Ardendo de desejo
Desenho os seus contornos com a língua...
... e eles se enrijecem...
Tenho ânsia de mordê-los
Mas estanco em admirá-los
Enquanto minha língua passeia gulosamente sobre um
Meus dedos brincam graciosamente com o outro
E,
Neste ínterim,
Mãos acariciam meus cabelos
É o êxtase.