sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ANATÔMICA 3
Mãos
Mãos
Que falam
Que acariciam
Que excitam
Que satisfazem

Mãos
Que trazem à luz
Que levam às trevas
Que produzem prazer
Que causam dor

Mãos
Que dizem tudo sem que se articule um único verbo
Que dão forma ao inanimado
Que emprenham a terra
Que alimentam o mundo
Mas, que num lapso de insanidade pode vir a destrui-lo
                                Crianças do Yauara (que hoje devem ser adolescentes ou adultos).

domingo, 25 de setembro de 2011

SER CRIANÇA

            Ser criança é tudo de bom! Mas tudo de bom mesmo.
            Ser criança é não se preocupar com que se vai comer no dia seguinte, mas ter algo no fundo do prato para satisfazer suas necessidades, se possível com qualidade.
            Ser criança é ter medo do escuro e ter alguém por perto que lhe inspire confiança e segurança.
            Ser criança é não ter medo de nada e se lançar nas mais divertidas aventuras e ter um anjo da guarda que lhe proteja.
            Ser criança é não se preocupar com o que vestir para agradar aos outros.
            Ser criança é ter o que vestir e calçar para se proteger contra o frio e os pedregulhos do caminho.
            Ser criança é não se importar se o caminho a seguir é árduo e inóspito e sim caminhar por pura diversão.
            Ser criança é brincar, brincar e brincar mesmo que não possua brinquedos que o comércio empurra goela abaixo.
            Ser criança é ter um pai e uma mãe (ou dois pais ou duas mães) que lhe ame e proteja e que respeitem seus limites de intolerância às coisas porque simplesmente são crianças.
            Ser criança é ter um lar para voltar após os folguedos e ser bem acolhido com amor e dignidade.
            Enfim, ser criança com tudo isso é a melhor coisa do mundo.
            Ah! Como eu gostaria de voltar a ser criança.


            Às crianças do Paraná do Yauara – Manacapuru - Amazonas
.                                           

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ANATÔMICA II
Olhos
Negros, castanhos, verdes, cinzas ou azuis
Emoldurados por lindos e sedosos cílios
Que se abrem e fecham languidamente
Ah! Fulgor incandescente que deles escapam
Que penetra fundo
Congelando a alma
Roubando nossa vontade
Ah! Fagulhas diabólicas
Que me aprisiona o ser
Ofuscando com teu brilho
Ativando minha libido
Enchendo-me de paixão
Ah! Adaga colorida
Que me perfura a pele
Inundando-me de alegria
Deixando-me com uma sede profunda
Num furor momentâneo
Renovada a cada piscada

quarta-feira, 7 de setembro de 2011


ANATÔMICA 1
                Esta série de poemas, se é que se pode chamar assim porque não possuo aptidão alguma para me expor desse jeito, mas vamos lá.  É uma série de 5 que em seu bojo pode ter conotação erótica, mas é apenas uma brincadeira, embora coberta de conteúdo erótico.



 A BOCA

Boca
Rubra,  úmida
Sorridente ou arqueada
Teu toque provoca tremores que não consigo explicar.

Boca
Que conjunto interessante
Lábios, língua, dentes e mucosa...
Lúbricos de sedução
Provocando grande tentação
Embriagando-me de desejo.

Boca
Cuja  língua serpenteia a minha língua
Que brinca sensualmente entre meus dentes
Produzindo calafrios quando me descobre o mamilo.

Boca
Com dentes alvos e brilhantes
Que entre os lábios me ofuscam
Com tão estonteante poder
Que me transporta aos céus ao morder minha carne ardente.

Boca
Os lábios róseos me enlouquecem
Quando tocam de leve meus olhos, minha face...
Que se entreabrem em lascivo oferecimento
E me quedo vencido a beijar

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A GÊNESE

A GÊNESE
                Ela era má!
Mais muito má mesmo.   Não ficava satisfeita enquanto não maquinasse uma maldade logo depois de acordar.  Ficava ruminando com que vizinho ia encrencar ou quem lhe dirigiu, mesmo que hipoteticamente uma ofensa para arrumar uma briga para mais tarde e satisfazer a sua sanha em fazer o mau.  Ela era tão amarga que por duas vezes tentara matar seu único filho, que fora concebido também para causar mal a outra pessoa.
Sua maldade era tão grande que às vezes ela própria tinha medo.  Quando havia uma criança de colo por perto, ela pedia encarecidamente que a afastassem para não “dar quebranto”.  Evitava olhar as plantas delicadas que morriam com sua passagem, inclusive as plantas “fortes” como a arruda por exemplo.
A primeira vez que tentou matar o seu filho ele tinha apenas três anos de idade. Foi salvo pela avó que acudiu a criança e lhe bateu com uma vassoura, pois não tinha força para encher a mão.  _ Por que tu fizeste isso sua filha da puta! Quer matar o teu filho? _Eu quero que esse diabo morra, dizia ela. _Então porque tu procuraste filho, para fazer isso? _ Sua puta de merda! E o menino coitado, já estava ficando roxo em virtude do esganamento e fora salvo graças ao aviso dado por um irmão dela ao qual ela nutria um ódio mortal. Ela odiava aos irmãos com todas as suas forças e fazia de tudo para vê-los sofrer.
A segunda vez foi à faca, ele já tinha treze anos e a avó não estava perto e não tinha ninguém para acudir o menino.  O jeito foi fugir para a casa do tio, irmão mais velho. _ Tio eu não quero mais voltar para lá, não. Ela vai me matar. Quinze dias depois o tio o levou de volta e lançou uma ameaça: Se tu tentares fazer aquilo de novo eu te mato sua filha da puta! Agora pede desculpas ao teu filho que ainda é uma criança. Os dois (mãe e filho) choraram abraçados e a coisa se resolveu por um tempo.
Quando mais jovem, sua forma praticar o mal consistia em inventar histórias envolvendo os seus irmãos menores por parte da mãe para que eles apanhassem, quando não ela mesma se encarregava da tarefa por qualquer coisa.  Ela batia com que tivesse nas mãos. Mas o que ela mais gostava era de dar socos vindos de cima para baixo e ver o sangue descendo dos narizes dos pobres e indefesos.  Se contassem para a mãe, a porrada era segura. Podia esperar um beliscão daqueles que levantam a pele, um puxão de cabelo que quase deixava a criança careca, fora outras atrocidades que não dá para colocar neste texto.
Ela tinha preferência sexual por mulheres e engravidou do marido de uma vizinha com quem tinha um caso amoroso só para se vingar e escondeu essa gravidez de todos em sua casa (ela era meio gorda e costumava usar umas batas folgadas e ninguém desconfiava).  Quando a mãe descobriu, a bolsa tinha acabado de estourar.  Como não tinha passagem, a pobre criança teve que vir ao mundo na base do fórceps e sem nenhum cueiro para cobri-la. Tudo foi improvisado.
Sempre se meteu com as pessoas mais perigosas de onde morava: traficantes, ladrões, matadores de aluguel, putas de toda a qualidade que possa se imaginar, embora não tivesse outros vícios que não o de fazer maldades.  Com esses “amigos” tramou a morte do próprio irmão de sangue não se sabe por quê. Sorte ele ter percebido antes e tomado outro caminho para chegar a casa.
Ela era má! Má! Má em toda a sua essência, mas nem sempre foi assim.
Ela nasceu uma criança linda, de olhos negros e graúdos, emoldurados por cílios enormes e sobrancelhas aveludadas. Era muito branca, de bochechas rosadas como às de um querubim e seus cabelos negros realçavam ainda mais a alvura da pele. Era a caçula da família. O pai desaparecera e fora dado como morto. A coitada era órfã sem ter conhecido o pai.
A mãe, sem ter como criar os dois filhos sozinha, resolvera casar novamente com um homem maravilhoso que conhecera em uma festa e que prometera criar as crianças como sendo seus próprios filhos. A sogra praguejou em surdina: Esse “baitola” quer ser “jacamim”. Onde já se viu pegar mulher arrombada e ainda com curumim para criar?
Foram nascendo os filhos desse casamento.  O primeiro foi arrancado do colo da mãe logo depois de nascer.  O avô, seguindo uma tradição ridícula do nordeste disse: O primeiro filho homem do meu primeiro filho homem sou eu quem cria.
A mãe, no cuidado com o bebê que chegara depois, deixava a filha aos cuidados do irmão mais velho que era tão criança quanto ela. Foi quando o namorado de sua tia postiça, um rapaz simpático que era taxista a encontrou sozinha próximo à janela. _ O que tu fazes ai? Tá sozinha? Tô sim senhor, ela respondeu com sua voz infantil.  Ele subiu a escada tirou o enorme pênis para fora da calça e lhe disse: Tu gostas? É um pirulito, pode chupar, vai!  Ela hesitou e disse: mamãe falou que isso é imoral e pecado. _ Tua mãe não sabe de nada, pega logo! Ninguém vai ver.
Ele levantou a criança ao colo, tirou-lhe a calcinha encardida e meteu o pênis entre suas coxas minúsculas e iniciou o vai e vem frenético com a criança ao colo e gozou toda a sua sujeira no vestidinho da menina.  Sorte que uma tia viu e deu o alarme.  A parentada se reuniu para da uma surra no filho da puta, mas ele fugiu.  Logo depois ele se casou com a Irmã de seu padrasto e ficou por isso mesmo. Deixaram até de falar com a tia que deu o alarme. Posteriormente, disseram que a criança havia se insinuado para o tarado. Imagine com apena quatro anos de idade ela ia saber o que era aquilo.
O tempo foi passando, ela foi crescendo e a família crescia junto. Já eram três crianças menores para dar banho, vestir e pentear e ainda estudar no Grupo Escolar próximo de casa. Ela não dava trabalho.  Não gostava muito de estudar, mas adorava bordar e fazer trabalhos manuais.
Um dia, quando ela tinha doze anos, enquanto a mãe lavava roupa na cacimba na companhia dos menores, ela estava só em casa quando o padrasto chegou (era uma criatura hedionda que todos na casa temiam). Foi para o quarto, pois era seu costume deitar depois do almoço antes de voltar ao trabalho. Lá de dentro ele gritou: Vem cá e traz um cigarro pra mim! Ela entrou timidamente no quarto e ele já estava nu em pêlo (ela teve nojo de suas cicatrizes de uma queimadura severa sofrida há alguns anos). Tira a roupa ou tu apanhas! Ela não teve outra alternativa  senão obedecer pois sabia que a ameaça era real. Ele se meteu dentro da pobre criatura indefesa e ela não emitiu um barulho sequer. O estupro estava consumado! O que ele não contava é que uma das crianças menores viu e foi correndo à cacimba contar à  mãe. _ Mamãe, o papai ta “fazendo imoral” com a maninha. A mãe largou tudo e foi la´. Arrombou a porta com o pé e viu a cena nauseabunda e, com uma vassoura bateu nele e nela. Seu filho da puta! Como tu tens coragem de fazer uma safadeza dessas com tua filha! Seu ordinário! E a vassourada cantando no centro. Ainda se podia ver o pênis bambo escondido sob o lençol pingando de esperma.  Essa cena ficara gravada apenas na memória de quatro pessoas: O filho da puta estuprador, a mãe horrorizada com a cena, a pobre criatura agente passiva da ação e a criança que presenciou tudo e soou o alarme.  Isso ficou abafado e ninguém, mas ninguém mais soube.
A situação para ela ficou insuportável. O padrasto não queria mais ela na casa em virtude do ocorrido.  A mãe não podia fazer muito a não ser aceitar a situação para que o resto da filharada não morresse de fome (que era grande e sempre presente).  Ela teve que ir embora de casa e depois foi internada numa instituição para meninas infratoras onde aprendeu tudo o que não presta.  Foi ali que ela experimentou o corpo de outra menina.
E assim ela se tornou mulher. Amarga, de mal com a vida.  Fechou-se num mundo doentio que ia cada vez mais tomando conta de seu ser e o único desejo que lhe vinha à mente (talvez de forma inconsciente) era a vingança contra aquele que lhe desgraçara a vida: o padrasto que lhe roubou a infância, a virgindade, a liberdade e o direito de ir e vir.
Então, primeiro ela se voltou contra os irmãos mais novos (filhos de sua mãe com o padrasto) e depois com o resto do mundo.
Quem é o culpado no caso dessa pobre criatura que só reage contra as mazelas que a vida lhe ofereceu?
O QUE É ISSO GENTE?
                Hoje é um feriado aqui neste torrão. Mas um dia como qualquer outro no resto do mundo.
                Estou ouvindo “Fear of the dark” só por ouvir porque não quero perder meu tempo interpretando nada. É chato entender ou tentar entender tudo.  O som estridente me tira a responsabilidade de pensar (de vez em quando é chato pensar) e elucubrar sobre os fatos que incomodam o mundo.
                Vi um documentário sobre um ex-combatente norte americano no Iraque e fiquei enojado com as merdas que o Governo de lá fez com os seus homens e com as pessoas comuns daquele país.  Chorei com o depoimento de ex- soldado e com as imagens de impacto que a imprensa marrom costuma mostrar para nos impressionar. Adoro notícias, mas fico deveras preocupado com o papel da imprensa:   mostrar desgraças e olhos cheios de lágrimas (ver os closes que são dados quando a pessoa que esta envolvida na reportagem choram). Acho que jornalismo deveria apenas informar e não emocionar. Acho que isso fica para as novelas “água com açúcar” que quase todos os canais que brigam por audiência são obrigados a transmitir.
                Graças a Deus (e olhe que sou ateu) que não preciso ver as novelas, pois tenho muitos canais a minha disposição (assino TV à cabo).  Aliás, novela é uma apelação a quase tudo que nos impõem goelas (olhos e ouvidos) abaixo sem nos pedir permissão. Quem gosta é a “pobraiada” desprovida de quase tudo que não sua ânima ou “animalidade” para digerir àqueles conteúdos mesquinhos que as grandes emissoras nos impõem.
                Gostaria muito que a Ana Paula, a Mônica, o Eduardo ou até o podre do Boris tivessem acesso à este texto para repensarem a sua prática, mas principalmente a estes jornalistazinhos “barés” que se espelhassem em coisa melhores para deixarem de copiar o “Sulão Maravilha do companheiro Henfil” e fizessem um jornalismo de verdade denunciando toda essa merda que acontece nessa nossa bela cidade tão cantada pelos gringos e estrangeiros que aqui param para parar e admirar.  A vergonha dos desmandos de nossos Edis e outros governantes que me enojam e me dão ânsia de vômito só de imaginar que estão tão próximos de minha pessoa juntamente com seus famigerados familiares.
                Odeio o Poder! Com todas as minhas forças!
                Viva a Dilmona que está tentando governar com técnica e dignidade este país, e que, infelizmente a pobre tem que ser, além de mulher forte, uma política forte (eu não gostaria de estar no lugar dela) para dar conta de toda essa merda que os “aliados estão jogando no Ventilador Nacional (diga-se de passagem, a bancada podre do Amazonas cujos nomes não precisam citar que o fedor já diz tudo).
 Infelizmente o PT se transformou numa indústria de merda (e eu que já militei no partido em sua ala mais radical – a Convergência Socialista, que infelizmente foi convidada a deixar o partido) que esta preocupada apenas em “blindar” seus companheiros pilantras cujos os nomes não citarei por vergonha de ter votado tantas vezes (me desculpe companheiro Lula que se deixaou levar pelo deslumbre do poder) desde que me entendo por gente votante e me arriscando a ser expulso de casa por ir contra os princípios militaristas do filho da puta do meu pai que me expulsou de casa por outras circunstâncias que não eram políticas.   Hoje a Convergência se tornou um partidinho de que dá até vergonha de ter participado de sua grandiosidade quando no PT (suas plataformas políticas são medíocres e sem sentido nesse universo louco que vivemos hoje) e nem quero me lembrar dos seus representantes completamente fora do contesto universal e seu discurso patético que felizmente não tem espaço na mídia (meus amigos militantes de lá que me perdoem: Marquinhos, Zé Maria e outros).
Hoje estou puto com um monte de coisa!
Hoje essa é minha catarse verbal e me limitarei a isso para não comprometer minha carreira como funcionário público, pois tenho tantas cartas na manga que dá até medo