sábado, 31 de dezembro de 2011

FIM DE ANO
        Mais um ano que se finda.
         Outra etapa da vida que deve ser iniciada de acordo com o calendário gregoriano ditado pela famigerada igreja católica que desvirtuou os ensinamentos de Jesus, o Cristo.
         Não posso reclamar muito, pois ainda estou vivo e com saúde para escrever estas linhas que marcarão um rito de passagem na minha história.
         2011 foi dureza, não só para mim como para toda a humanidade. Catástrofes se abateram sobre povos, líderes filhos de putas caíram sobre a pressão do povo e a custo vida de algumas pessoas movidas pelo desejo do bem estar da maioria e que serão, embora muitos anônimos, eternamente lembrados.
         2011 foram marcados por uma falta de dinheiro geral. O poder de compra das pessoas caiu de forma vertiginosa. Nações antes orgulhosas de sua história sucumbiram em dívidas, obrigando as pessoas a reagirem e protestarem por seus direitos e anseios e eu sucumbi junto vendo o meu poder de compra cair e ter que cortar gastos de meu orçamento como muitos.
         Mas 2011 também foi palco de muitas vitórias. Consegui me libertar de um amor que me consumia e do qual não tinha retorno. Estou correndo atrás de outro amor mais maduro para me completar e espero que no ano novo que por hora se aproxima eu consiga meu intuito.
         Conheci pessoas lindas e tão solitárias quanto eu em um site de relacionamento, Algumas completamente loucas, mas humanas em suas necessidades e desejos de estar junto com outro que lhe complete.
         Espero que 2012 seja um bom ano para todos, mesmo que o mundo se acabe em 21 de dezembro como os Maias previram nas suas alucinações proféticas.
         UM FELIZ ANO NOVO PARA TODOS.
        

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Betta splendens E O NARCISO
            Luis Oyama ficou parado, no interior de carro (de marca japonesa), olhando a loja de “pet shop”.
            Um frio percorreu sua espinha de cima a baixo. Tinha que decidir a compra de um animal de estimação. Finalmente criou coragem e entrou. Foi até o balcão da loja onde dois atendentes sonolentos aguardavam. Pois não, senhor! Disse um deles. _ Quero comprar um bicho de estimação. Temos vários senhor: cães, gatos, ratos, iguanas, cobras e lagartos, aves de todo tipo e peixes, disse o vendedor olhando para cima.  Eu quero um que não dê trabalho, disse Luis ao vendedor, o que despertou de sua sonolência em virtude do calor que fazia lá fora.
            O odor de ração canina encheu as narinas de Luis que se sentiu sufocar. Ele olhou desinteressado à sua volta. Foi quando o vendedor disse: Por que o senhor não leva um beta? O que é um beta? Perguntou Luis. É um peixe... Vamos lá no fundo da loja que eu mostro ao senhor. E foram os dois ver o peixe.
            Quando Luis viu os peixes ficou maravilhado. Que belos animais! Com suas nadadeiras imensas e coloridas agitando-se languidamente na água do minúsculo recipiente. Escolheu um azul que já vinha acompanhado de um pequeno aquário, pedrinhas coloridas e uma plantinha artificial. Ouviu as recomendações do vendedor, pagou e foi para a solidão de seu bem equipado apartamento.
            Luis Oyama era solteiro, filho de um imigrante japonês e de uma prostituta da região do Brás em São Paulo. Acabara de completar quarenta anos, mas tinha um corpo atlético e bem conservado e era o diretor em uma indústria de gabinetes plástico para computadores e aparelhos de som. A indústria era pequena, com apenas 50 empregados distribuídos seis na administração e o restante em serviços gerais e produção.
            A fábrica funcionava em um único turno e faturava bem, pois era muito bem administrada pelo Dr. Luis (como era chamado por todos). Era bem sucedido e independente (saíra da casa dos pais logo que terminara a faculdade já com emprego garantido na empresa onde fora estagiário).
            Em virtude de suas origens asiáticas, era muito fechado e se relacionava muito pouco com as pessoas. Na fábrica era atencioso com os funcionários, mas sempre mantinha distancia de todos.  
            Luis retornava para casa todos os dias exatamente às oito horas e a primeira coisa que fazia antes de meter-se sob o chuveiro era se masturbar. Luis se masturbava até seis vezes por dia quando estava em casa e, toda vez que via seu esperma escorrendo por entre os dedos, sentia uma solidão tão profunda e uma dor tão contundente que chorava. Apenas lágrimas. Nem um soluço sequer... Não conseguia entender aquilo. Achava que era porque se masturbava em demasia e sempre prometia a si mesmo que ia parar. O fato é que ele não conseguia, pois ao introduzir a chave na fechadura já estava excitado.  E lá ia ele de novo fazer uma reverência a Onã.
            Sua dor aumentava a cada dia e, a cada dia se afastava mais das pessoas. Luis, em todos esses anos, nunca tocara sexualmente ninguém. Sua masturbação era solitária, onde seu objeto de inspiração era ele mesmo (havia um espelho postado no teto, sobre a sua cama, no qual ele se olhava enquanto se tocava).
            Seu sofrimento aumentou, quando em uma confraternização no sítio do subgerente da fábrica, a qual relutara muito para ir. À beira da piscina ele viu Fábio, o office boy, metido numa sunga apertada que fazia  enaltecer o contorno das nádegas rijas e o pênis que se desenhava sob a lycra da vestimenta minúscula.
            Luis, no auge dos seus quarenta anos, nunca havia reparado outro homem que não ele próprio (aliás, nem outro ser humano). Ficou excitado no mesmo instante e tentou desviar o olhar envergonhado de si mesmo. O que é isso?  Eu não sou veado, disse para si mesmo. Mas a anatomia de Fábio lhe perseguiu o resto do dia. Não conseguiu fazer mais nada e foi pra casa, angustiado com a lembrança que lhe perseguia. Não conseguiu dormir, não se masturbou como de costume antes de dormir e não foi trabalhar no dia seguinte (nunca havia faltado um dia sequer). Teve febre, dores de cabeça e calafrios que lhe percorriam do Cox à nuca. E a lembrança que, como um fantasma lhe perseguia o tempo todo: A imagem do Office boy em trajes de banho. Eu não poso ser veado, pensou ele. Vou ter que despedir o rapaz para continuar minha vida. E assim passou o dia.
            Terça, de manhã (depois da troca da vigilância, era sempre o primeiro a chegar) Fábio já estava no portão esperando. Acho que Sidarta Gautama está pregando uma peça em mim, pensou ele. – Bom dia Dr. Luis, ficamos preocupados ontem... O senhor nunca falta, disse Fábio. E uma angústia violenta se apoderou de Luis (o medo que sentia do pai, e de ver as surras que via a mãe levar em silêncio para lhe proteger, tudo veio à tona). Será que ele percebeu alguma coisa? (pensou ele). Vou ter que despedir! Mas ele sempre faz o serviço direito, murmurou par si mesmo. Bom dia, respondeu secamente. Já estou melhor, obrigado.
            Durante o expediente, lá estava o moleque olhando para Luis. Ou será que Luis, com sua mania de perfeição no trabalho nunca havia reparado em Fábio, que aparentava ter uns vinte e poucos anos. Ah Sidarta, afasta este carma de mim (pensou). E foi despachando os documentos, ordens de serviço, planilhas de custo a esmo como que para se livrar da presença do rapaz que estava do outro lado da sala. Muniu-se de coragem e falou: - Você quer alguma coisa? Tô perando os seus despachos para entregar, respondeu Fábio. E assim o dia escorreu vagarosamente até o fim do expediente.
            A tristeza tomou conta de Luis. Não dormia, não se masturbava, não comia, não se exercitava. Trabalhar era uma tortura, pois não conseguia se concentrar. Resolveu procurar um médico que lhe encaminhou a um psiquiatra.
            Durante a consulta, enquanto Luis vomitava sua dor, o medico pensou: Esse cara é uma bichona enrustida, mas a dor dele é real. Tá passando por um período depressivo violento. Depois de ouvir atentamente a história, o medico lhe receitou um antidepressivo (o mesmo da Lady Di) e ansiolítico para dormir. Aconselhou também tirar uns dias de repouso e encontrar um bicho de estimação.
            O remédio parece ter surtido efeito. Voltou a trabalhar e resolvera ir atrás de um animal de estimação (que na verdade representava ele mesmo – um peixe asiático muito bonito e solitário, que estava muito bem no seu universo microscópico). Mas não era só isso. Havia mais. Ainda tinha o Office boy.
            Um dia, entrou no seu gabinete e Fábio estava lá. O que deseja senhor Fábio? Disse ele polidamente. O senhor doutor!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

                O NADA E O TUDO



         Hoje é um daqueles dias que prometem um ensaio para a dor e um vazio se instala na tua alma que clama por companhia.
         A solidão é uma coisa que independe de sua vontade, mas às vezes buscamos estar só porque como diziam nossos pais “antes só do que mal acompanhado”.
         Estou amargando a tristeza de dizer: NÂO! Mas festejando a alegria de ter tido coragem de ter dado basta numa situação que se arrastava lentamente para um fim fatídico na luz de um abandono quando a situação do outro lado melhorasse o que seria muito pior para mim.
         Acreditando amar sozinho, abri mão desse amor vivido através de mentiras e promessas não cumpridas por parte do outro.  
         Saio de cabeça erguida dessa relação porque sei dentro de mim que cumpri a minha missão.
         Como disse o Senhor: “vá e não peques mais”.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ACIDENTE TEXTUAL




                Por trás da pálida neblina em meio à madrugada, a lua me deu um sorriso amarelo...   Perdido em meio à poeira do tempo impregnada nos livros, me detenho por alguns momentos.  
                Amanhece o dia e uma grossa cortina de plúmbeas nuvens escondem o anil do céu nesta bela manhã.
                O anseio ainda não satisfeito, curiosidade à flor da pele.
                Amigos presentes e a ausência de inimigos tornam meu coração mais tranqüilo nesta tarde onde o sol esmaece e as nuvens passeiam alheias a tudo o que ocorre nesta paragem da vida.
                Livros na estante e eu no chão.
                A música no aparelho e a imagem na televisão. Tristeza pulando a janela e a solidão à porta e aqui dentro apenas a apatia incomodando.
                Nunca aprendi a pescar exatamente por ser tão impaciente.
                Doce torpor que me faz vaguear nos limiares da realidade sem preocupações ou dissabores......
                 Ao menos por ora...
(Shinair)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

AS LUZES DO NATAL
            Ele era um sujeito pacato que gostava festas, brincadeiras e outras coisas, mas na sua vidinha medíocre havia algo que nem ele próprio sabia explicar: Ele odiava o natal, não só o natal, mas o mês de dezembro inteiro.
            Quando chegava a data fatídica, ele se escondia para que ninguém lhe encontrasse para aqueles abraços esfuziantes e felicitações que sempre considerava falsas e momentâneas. Odiava as luzes, os enfeites, Papai Noel e, sobretudo a maldita Árvore de Natal.
            Toda vez que vislumbrava uma árvore de natal, tinha vontade de chutar, quebrar aquelas bolas coloridas ridículas, guisar aqueles festões metálicos e pipocar com os pés as lâmpadas coloridas uma a uma para liberar ali, toda a sua raiva.
            A cada ano, quando a data se aproximava, vinha a angustia de ter que se esconder e evitar olhar o seu objeto de ódio.
            Certo dia, no fim do mês de novembro, ele estava atrás do balcão da loja de ferramentas em que trabalhava, viu ao longe uma movimentação de pessoas num posto de gasolina. Os funcionários estavam decorando o estabelecimento para as festividades do natal como de costume no comércio para atrair fregueses. Mais uma vez ele angustiadamente se perguntou: Porque odeio tanto o natal? Não só o natal, mas tudo o que ele representa? Passou quatro horas observando a movimentação e fazendo a si mesmo a mesma pergunta como se fosse um mantra maldito. De repente, ele entrou numa espécie de catatonia e do recanto mais profundo do seu inconsciente veio uma lembrança que lhe fez entrar num pranto tão violento que precisou fugir da loja sem explicar para ninguém o motivo. Só se sabe que no dia seguinte faltou ao trabalho para ir à cidade e comprar tudo para receber Papai Noel: árvore, bolas, guirlanda enfim dezenas de enfeites para decorar a casa humilde em que residia de favor.
            A lembrança veio de sua infância miserável junto com sua numerosa e infeliz família. Quando muito criança ainda, perguntou a sua mãe: Mamãe, porque nos não temos árvore de natal como todo mundo?  A mãe, com os olhos cheio d’água, respondeu: Meu filho, se eu comprar uma árvore de natal, nós vamos ficar o mês de dezembro inteiro sem comer,
            Ele não entendeu muito bem a resposta, mas não questionou, pois estava acostumado (se eu comprar isso, vai faltar aquilo) e se voltou as brincadeira com um coelho de pano costura à mão pela mãe e os outros brinquedos feitos por ele mesmo.  Foi quando o irmão mais velho, muito responsável disse; Vamos fazer a nossa própria árvore.
            E assim foram todos os irmãos buscar os elementos para fazer a árvore. O mais velho foi atrás de um galho seco e frondoso pelas redondezas enquanto os menores procuravam papeis coloridos e brilhosos de balas para embrulhar as pedrinhas e amarrar com linha de costura para fazer as “bolas” que enfeitariam a árvore tão sonhada. Em algumas horas, a árvore mais linda do mundo estava pronta e todos ficaram adorando aquela que tinha sido o produto de um trabalho em equipe que funcionara tão bem. A mãe, orgulhosa do feito dos filhos chorou de alegria. Foi quando o pai, criatura amarga e cruel, chegou e disse: Que putaria é essa aqui! E largou um chute destruindo aquele trabalho maravilhoso dos pobres irmãos.
            Os pequenos ficaram sem entender e se recolheram no seu medo e o mais velho foi chorar num canto jurando silenciosamente matar aquele filho de uma puta sem coração.
            No ar ficara a sentença: Não nascemos para ter essas coisas e o ocorrido fora esquecido, mas marcara aquela família toda para o resto de suas vidas.       

sábado, 19 de novembro de 2011

NO COLETIVO 2

                Cosme era um soldado raso da polícia militar a 10 anos. Quando entrou, tinha completado 20 anos e terminado o segundo grau numa escola do Estado no município de Coari. Seu conhecimento era muito limitado e fora aprovado em um “conselho de classe” porque havia uma lei que ditava que alunos em conclusão não podiam ser reprovados.
                Cosme gostava de dançar lambada de quinta a domingo num arremedo de boate às margens do lago e ficar de sacanagem com uma puta famosa do lugar conhecida como Flu-Flu (o nome era uma alusão a frouxidão de sua vagina, como diziam todos do lugar), que topava qualquer parada por “dez contos” ou uma garrafa de “Chora Rita”. Com tanta diversão, estudar ficava em último plano e as notas iam caindo cada vez mais, principalmente em matemática e física (“era, segundo os pais, ”ruim com os números”).
                 Se envolveu com uma galera da pesada e teve que ser deportado para Manaus para não levar as facadas prometidas pelo chefe da outra galera, da qual eram rivais. Foi morar na casa de um parente distante que era tenente e que ia lhe arrumar uma “peixada” para ingressar na polícia.
                O tenente prometeu e cumpriu sua palavra.
                Depois de uma prova, Cosme foi admitido, não se sabe como para ingressar na vida de militar.  No começo era honesto e correto, mas arrumou amizade com outro soldado pilantra e começou a praticar atos que iam contra os princípios desejados pela corporação.
                Eram 08h00min da manhã quando Cosme entrou pela porta da frente do ônibus lotado que ia da Cidade Nova para o Educandos, próximo ao terminal do São José, pois terminara o seu turno 24 horas. Ajeitou-se entre os passageiros civis com os olhos vermelhos de sono (a noite tinha sido bem agitada).  O pênis repousava murcho sobre os testículos apertados contra a braguilha da calça que apertava muito por causa da gordura acumulada pela falta de exercício e excesso de comida de má qualidade ainda molhado de esperma da curra que ele e o soldado Damião deram num rapaz flagrado numa boca de fumo num beco obscuro do bairro São José e, ao lembrar-se da situação ficou excitado, tentando esconder com a mão o pau que endurecia contra o ombro de um passageiro que estava sentado na cadeira do corredor, que percebera, mas não falou nada em respeito à autoridade que a farda impõe. Só pensava em chegar a casa (um quarto num “muquifo” onde moravam mais dois policiais pilantras que negociavam drogas apreendidas com os traficantes locais). Deitou-se na rede fedorenta a mofo para dormir e pensar no que fazer depois, pois tinha feito uma merda muito grande e estava muito cansado para se preocupar naquele momento .
                Foi o soldado Damião quem dera sugestão: _ Vamos enrabar alguém hoje Cosme e não discute porque to afim de foder e vai ser aquele viado que tá saindo do beco. Vamos lá abordar!
                _Tá fazendo o quê por aqui? Encosta na parede agora que a gente vai de dar um “baculejo”! Vai, porra! E o sujeito, amedrontado diante da ordem, obedeceu. Abre a perna, porra! Mão aqui, mão ali e Damião encontrou a trouxinha com a droga. Olha ai, filho da puta! Tá com “bagulho” no fundo da cueca! Encosta! Encosta!
                E Damião e Cosme levaram o rapaz para uma parte escura de um terreno baldio que tinha próximo da entrada do beco e, como de costume não era visitado por ninguém, exceto por alguns viciados que não tinham onde consumir a sua droga. Damião continuou o “baculejo”, mas se atendo principalmente na bunda e no pênis do rapaz, que já percebera a intenção dos dois e já estava excitado com a situação, embora não fosse homossexual, mas já experimentara da “fruta” e gostado. Damião sacou o pau rijo para fora da calça e disse: Chupa filho da puta, se não quiser ir “pro xilindró”!  E aí Cosme, mete o teu pau nele!
                Cosme, meio sem jeito tirou o seu pau (que media 23 centímetros) e o rapaz assustado disse: “péraí” esse cara vai me arrombar! _ Num quero saber, se num encarar vai ter que pagar “três mil conto” pra se livrar do flagrante. Eu, num tenho isso, disse o rapaz amedrontado. Então agüenta, falou Damião!
                Cosme não queria, mas ao ver o moleque chupar desajeitadamente o pau de Damião, ficou excitado (já havia experimentado em Coari e gostado). _Tô sem camisinha, disse. Foi Damião que disse: _Mete porra! Num tá vendo que ele é “limpinho”! E Cosme meteu.....com tudo que tinha direito ( o rapaz, estuprado só gemeu de dor.  Não podia dizer nada diante da autoridade da polícia e deixou-se, passivamente, ser agente da ação).
                Damião encheu a boca do rapaz de esperma e disse: engole porra! E o rapaz obedeceu para fugir do flagrante. Cosme também gozou com vontade. O rapaz bateu uma punheta e gozou também.
                Ao final de tudo, Damião pegou a droga do rapaz misturou com um punhado de maconha que tinha bolso e teceu um “tarugo” para os três fumarem juntos. Quando os três, inebriadas pelo efeito da droga recostaram na parede imunda do lugar em que estavam. Foi quando o rapaz, relaxado, depois de gozar com dois machos de uma vez (era a sua primeira vez e estava todo arrebentado) disse: Não deu tempo de dizer para vocês, mas sou soro-positivo, e agora?     

domingo, 6 de novembro de 2011

ANATÔMICA 5
MAMILOS
Mamilos
Eis que os observo
Ardendo de desejo
Desenho os seus contornos com a língua...
... e eles se enrijecem...
Tenho ânsia de mordê-los
Mas estanco em admirá-los
Enquanto minha língua passeia gulosamente sobre um
Meus dedos brincam graciosamente com o outro
E,
Neste ínterim,
Mãos acariciam meus cabelos
É o êxtase.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A MOCRÉIA DO COLETIVO
            Tudo nela era falso. Se não falso, era falsificado.
            Nos cabelos, espichados com uma dessas escovas novas que recebem os nomes de ”marroquina”, “japonesa”, “egípcia” e por ai vai ela usava uma tinta vermelha jurando de pés juntos ser da “Wella”.  Olhando mais de perto podia se distinguir três cores: branco na raiz, uma parte castanha e outra amarelada parecendo mais com os pelos da cachorra Lassie.
            Ostentava a frente dos olhos um par de óculos enormes que lhe cobriam quase toda a cara da marca “Prada”, fora  comprado ali mesmo no terminal da Cidade Nova por oito reais (o camelô disse que eram originais por isso tão “caros”). Sobre o colo repousava uma bolsa lindíssima (ela assim dizia) “Louis Vuiton” que custara a fortuna de vinte reais no “bate palmas” da Marechal. A blusa vermelha, num tecido que obscuramente assemelhava-se a seda, era “Coco Chanel”, comprada também na Marechal  e uma calça jeans tão apertada que se ela peidasse rasgava o fundo, na cor preta da marca “Hugo Boss” (essa ela comprou de uma sacoleira que sempre ia aos domingos vender seus produtos na sua casa) que custou cento e trinta reais (que ela pagara em seis prestações). Nos pés, uma sandália de saltos de acrílico transparente altíssima que lhe apertava um enorme joanete que tinha no pé esquerdo porque uma de suas pernas era bem maior que outra. Enfim, era a própria visão do Cão chupando manga ao meio dia sob um sol escaldante.
            Ela estava sentada na cadeira do corredor num ônibus lotado às sete e meia da manhã, atrasada porque tinha estar na casa da patroa no Parque Dez às oito horas em ponto para colocar o café na mesa para o chato do Fernandinho (um moleque de doze anos que passava horas se masturbando assistindo sacanagem num site pornográfico) que tinha aula de inglês às nove.
            Embora atrasada, ela ia aproveitando a viagem ouvindo musica brega do Pará num “head phone” acoplado a um mp3 chinês da marca “Waiko” (um horror!) quando um rapaz muito bonito postou-se próximo a ela fazendo de tudo para não incomodar a moça. Ela olhou por traz dos óculos “Prada” e pensou: Nossa que delicia! E aproximou o ombro do pau do rapaz que fazia de tudo para se afastar dela com medo de uma reprimenda (ela poderia achar que era abuso sexual – coitado do rapaz). Quanto mais ele afastava mais ela remexia o ombro no pau do rapaz que ele percebera o intuito da mulher e se riu por dentro.
            _Será que essa mocréia ta me roçando de propósito? (pensou ele) E ela tá se achando e eu vou dar corda.
            Ele a deixou ficar lhe roçando o pau e se achando a tal.
            O que ela não percebeu é que o rapaz bonito que ela bolinava era gay e casado com outro rapaz tão bonito quanto ele.
            Ironia ou não, essas coisas acontecem de vez em quando no interior de ônibus.    

sábado, 22 de outubro de 2011

NO COLETIVO – 1
            Sou usuário do sistema de ônibus coletivo (infelizmente) e às vezes passo por situações que valem a pena serem publicadas porque também fazem parte de uma catarse que acho que é geral.
            É sábado, onze horas da manhã. O sol está tinindo, pois estamos em pleno mês de setembro. Vento? Nem em sonho. O ar está parado e o movimento só das pessoas num frenesi para gastar e voltar logo para casa e para seus ventiladores barulhentos e aparelhos de ar condicionado empoeirados e gotejantes.
            No ônibus, entra um menino pela porta da frente com uma caixa contendo saquinhos de balas meladas e grudentas de mangarataia e pastilhas coloridas de vários sabores (todos artificiais – é claro). Ele começa a distribuir, ou melhor, jogar seus produtos no colo das pessoas que estão sentadas (algumas tão absortas em seus pensamentos que se assustam com a ação).
            “Siçi”! Ele fala enquanto joga as balas no colo da pessoa. Esse “siçi” é uma alusão de longe da palavra licença. E vai repetindo: “siçi”e joga mais um saquinho da horrorosa bala de mangarataia feita sabe-se lá como. “Siçi”, “siçi”, “siçi” até chegar ao fundo do ônibus quando começa a recitar um verso ridículo que é repetido por todos os meninos e adolescentes que se encontram nessa situação.
            _Senhoras e senhores passageiros! Carinhosamente (porra nenhuma, o troço foi jogado no colo das pessoas) deixei com alguns de vocês estas deliciosas pastilhas de vários sabores juntamente com estas deliciosas balas de mangarataia que é medicinal e acaba com aquele (aí o menino faz uma pausa que chega ser cômica) ram – ram – ram da garganta por uma pequena quantia de cinqüenta centavos, duas por um real (é lógico, né?). E então ele lança no ar uma perigosa ameaçar: É melhor vender do que roubar! Isso comove um bocado de gente que começa a se coçar a procura da moeda afim de evitar a tragédia que se deslinda em sua mente (o pivete lhe roubando a carteira).
            Pense ter que passar por tudo isso em um ônibus lotado com a temperatura no asfalto a 50 graus. Suficiente para fritar um ovo. E o calor insuportável dentro do coletivo que nos faz suar em bicas, ainda mais com aquele sujeito fedorento esfregando a braguilha no seu braço.
            Essas situações são de matar qualquer cristão ou ateu, mas nós que precisamos usar esses coletivos temos que agüentar.
            Até quando? Haja saco, né

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

TITÃ
                Ao iniciar este texto lágrimas de tristeza me vem aos olhos e penso não ter estrutura psicológica para continuar, mas isso faz parte de meu processo catártico de cura.
                Quando ingressei na universidade em 1984, não conhecia nada da vida a não ser dor, humilhação e ódio. Ódio daqueles tão profundos que tenho medo de lembrar. Hoje ainda odeio, mas não com tanta força como a que eu tinha naquela época. O ódio me alimentava e me mantinha vivo para por em pratica toda a vingança que eu arquitetava todos os dias contra meus algozes.
                Ainda vivíamos sob o fantasma da Ditadura (da qual sabia tão pouco). Era seu final e ela dava seus últimos suspiros nas unhas do famigerado General João Baptista Figueiredo que eu, na minha meninice tive o (des) prazer de ter a mão apertada por ele numa cerimônia na Secretaria de Educação de Duque de Caxias no Rio de Janeiro por ser, aos 12 anos de idade, o professor mais jovem do Brasil (eu ministrava aulas no MOBRAL).
                Indo contra tudo e contra todos, ingressei no Movimento Estudantil em um grupo de esquerda e, toda sexta-feira no final da tarde nos reuníamos em uma sala obscura de um obscuro prédio na Praça 14 para estudarmos sobre Socialismo e seus teóricos. Lembro-me de um em especial que falava sobre a ditadura do proletariado explicando o que não havia dado certo em Cuba e União Soviética que dizia: O desejo do oprimido é oprimir. Não entendi muito na época, mas fingi entender para não ficar para trás diante de meus colegas intelectuais de esquerda, ateus convictos que hoje ostentam em suas salas, consultórios e escritórios imagens enormes do Cristo crucificado e de Nossa Senhora com olhos elevados para os céus (risos). Ao final de cada aula dessas, nós jogávamos o material subversivo em um camburão nos fundos da casa para queimar.
                Hoje penso no que os teóricos queriam dizer em seus textos e vejo o quanto são verdadeiros em qualquer cultura ocidental. Quando criança, éramos espancados pelos pais, irmãos mais velhos e garotos maiores. Depois, quando maiores, éramos humilhados por pessoas as quais precisávamos por não ter um teto nosso para nos abrigar e proteger (todas por onde passei sem exceção) e nunca tive em minha vida algo ou alguém menor em quem bater ou humilhar como aconteceu comigo. Porque essas coisas são absorvidas por nós inconscientemente aparecendo depois na forma desses sintomas hediondos.
                Numa fase critica de minha vida em que eu me encontrava tomado pela depressão, e o desespero me levou a me entregar ao vício em álcool e outras drogas pesadas com as quais estabeleci um vinculo compensatório que funcionou tão bem que não conseguia largar e quase me levou à morte e perda de meus grandes amigos. Aos poucos, esse vinculo foi diminuindo, mas a necessidade do organismo falava mais alto e eu acabava me arriscando nas “bocas de fumo” nos lugares mais horrorosos que um ser humano totalmente degradado pode chegar (contarei um dia essas historias de terror profundo).
                Um dia fui comprar peixes para meu aquário e vi um filhote de cachorro da raça Yorkshire. Foi amor à primeira vista. Ele era tão pequeno que cabia na palma de minha mão (que não é grande), Namoramos três semanas até que tive coragem de comprá-lo à prestação, pois era bem caro e o levei para casa. Parecia um brinquedo de pelúcia que todos olhavam com inveja ou admiração.
                Meu maior prazer era voltar para casa e brincar com ele. Era um lorde dentro de sua caminha verde me fitando e abanando o toco de rabo.
                Dei-lhe o nome de titã num deboche ao seu tamanho. Quando cresceu, media dois palmos de comprimento por um de altura. Lindo! Mas tinha um problema: tudo que ele aprendia hoje através do treino (e olhe que tentei de tudo) ele esquecia em uma semana. Xixi, só no meio da casa. Cocô, só na porta da entrada e isso me irritava muito.
                Comecei gritando com ele. Depois lhe dava pequenos “petelecos” com os dedos como que brinca de bolinhas de gude. Até que um dia, estava sem drogas em casa e com muita raiva, bati pela primeira vez com raiva. Desde esse dia ele ficou arredio comigo. Brincava só quando eu chegava e depois se escondia em sua caminha com medo.  E quando defecava na porta, ela já sabia que vinha bronca e desaparecia se tremendo todo. Eu percebia e chorava com pena. Eu queria reconquistar a confiança do meu cãozinho tão lindo e frágil (só vivia no veterinário com gripe ou outra mazela como inflamação na garganta entre outras).  Todos na clínica acreditavam que eu cuidava bem dele, mas eu só tratava mal aquele que só queria me dar amor e atenção.
                Numa tarde, não havia conseguido droga, cheguei e tinha cocô na porta. Primeiro esfreguei a cara dele na merda e depois bati com força. Veio em mim toda aquela raiva covarde do grande diante do pequeno. O bichinho gritava, mas ao invés de fugir corria para baixo de minhas pernas como que pedindo socorro a quem lhe machucava.
                No dia seguinte cheguei para brincar e me desculpar. Ele só tivera tempo de balançar o rabinho e cair vomitando. Morreu de madrugada em convulsão com um ano e meio de idade.     Carrego comigo a culpa de tê-lo matado, embora ela já apresentasse convulsões outras vezes e não sei se as pancadas aceleraram o processo.
                Enterrei o seu corpinho sem vida de madrugada chorando e me mal dizendo: Meu Deus como eu tive coragem de matar a quem só nasceu para dar amor e alegria?
                Hoje consegui me livrar das drogas, mas carrego a culpa por ter repetido o que meu pai, irmãos mais velhos e outros parentes filhos da puta fizeram comigo no meu cachorrinho tão lindo que esta enterrada num cantinho especial no fundo do quintal.
                Sempre vou lá e olho o local com saudade. Meu Deus, como eu queria voltar no tempo e fazer diferente.
                Eu espero que, no Céu dos cachorros, ele esteja olhando por mim e perdoe o que eu fiz, pois até hoje choro quando me lembro dos seus pêlos azul-chumbo e dourado brilhando ao sol e balançando com o vento.
                Me perdoe meu cachorrinho querido, pois ainda choro muito quando lembro de você.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

ANATÔMICA 4
PELE
Pele
Macia, áspera, suave, hirsuta ou glabra
Teu cheiro me inebria
Os pelos que te envolvem e protegem me excitam
Gosto de te acariciar e sentir as descargas elétricas que de ti escapam
Ah! que poder tu exerces sobre as pessoas
Que muitas vezes te recriminam a cor
Teu sal me seduz
Quero passear por entre teus poros
Banhar-me no teu suor

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A BARBIE SEREIA E A SUPERAÇÃO DO MEDO

            Naquele Natal, de todos os presentes que ela havia ganho, sem dúvida nenhuma a Barbie Sereia foi o que mais lhe chamou a atenção.  Sua enorme cauda cor de rosa irisado cintilava ao sol e os cabelos (loiros como deve ser qualquer boneca Barbie norte americana) mudava de cor quando em contato com a água. Era a coisa mais linda do mundo e aquela menina não desgrudava mais dela. Penteava, prendia-lhe a vasta cabeleira “mágica” com todas as suas “piranhas” coloridas favoritas (que eram muitas) e a mergulhava nas águas geladas e caudalosas daquele igarapé maravilhoso, mas não ousava molhar além das mãos, pois tinha medo de se afogar (medo este imposto por sua avó e mãe).
            Acontece que na outra margem do igarapé havia um tronco caído que convidava a todos para tomar o sol da manhã. Este tronco já havia sido uma gigantesca árvore que abrigou em toda a sua estrutura inúmeros nichos que iam desde pequenas osgas a bromélias, ninhos de japiim entre outros que só um bom ecologista poderia elencar. Pois bem, o local onde ficava o tronco não oferecia risco porque estava numa curva onde a areia se acumulava, logo era raso e todos, em seus pensamentos gostariam de estar do outro lado para apreciar a paisagem de outro ângulo (a grama do outro lado da cerca é sempre mais verde).  
            A avó se recuperava de uma cirurgia e, com os pés na água, sentada no trapiche de madeira relembrava com saudade seus tempos de criança quando nadava como uma piaba na correnteza forte às margens do Amazonas junto com os irmãos, pulando sem medo do alto da cuieira que pendia perigosamente à beira do barranco que a cada ano recuava um pouco devido às “terras caídas”.  A mãe nem ligava, pois estava muito ocupada no roçado catando mandioca para a “farinhada” que se aproximava antes do rio engolir tudo. Sem pensar muito ela se lançou na água sob protesto das filhas histéricas que observavam a cena de perto. E lá foi ela para o tronco na outra margem e ficou lá observando tudo e a todos sorvendo aquele momento mágico como um sedento a um copo com água.
            A neta, vendo aquilo disse: Vó eu quero ir praí. A avó respondeu: Vem! E isso assustou aos outros que observavam morrendo de inveja, pois também gostariam de estar lá.  Vamos ver se “dá pé” dizia uma. Outra dizia que não dava, pois era fundo próximo do trapiche. Mas a vovó tá lá, dizia a pequena com a boneca na mão. Vai com a Barbie dizia outra pessoa, pois ela é uma sereia e sabe nadar. Foi quando tomaram coragem e caíram na água e juntos, todos foram tomar sol no tronco maravilhoso que esperava a todos.
            A Barbie era de longe a mais audaciosa, mas acabou sendo esquecida no decorrer da brincadeira e foi boiando sozinha para longe. Foi quando alguém falou: menina olha a tua Barbie! Ela ta indo embora.  Pega ela tio, mas ela sabe nadar. Ela é uma sereia.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

ANATÔMICA 3
Mãos
Mãos
Que falam
Que acariciam
Que excitam
Que satisfazem

Mãos
Que trazem à luz
Que levam às trevas
Que produzem prazer
Que causam dor

Mãos
Que dizem tudo sem que se articule um único verbo
Que dão forma ao inanimado
Que emprenham a terra
Que alimentam o mundo
Mas, que num lapso de insanidade pode vir a destrui-lo
                                Crianças do Yauara (que hoje devem ser adolescentes ou adultos).

domingo, 25 de setembro de 2011

SER CRIANÇA

            Ser criança é tudo de bom! Mas tudo de bom mesmo.
            Ser criança é não se preocupar com que se vai comer no dia seguinte, mas ter algo no fundo do prato para satisfazer suas necessidades, se possível com qualidade.
            Ser criança é ter medo do escuro e ter alguém por perto que lhe inspire confiança e segurança.
            Ser criança é não ter medo de nada e se lançar nas mais divertidas aventuras e ter um anjo da guarda que lhe proteja.
            Ser criança é não se preocupar com o que vestir para agradar aos outros.
            Ser criança é ter o que vestir e calçar para se proteger contra o frio e os pedregulhos do caminho.
            Ser criança é não se importar se o caminho a seguir é árduo e inóspito e sim caminhar por pura diversão.
            Ser criança é brincar, brincar e brincar mesmo que não possua brinquedos que o comércio empurra goela abaixo.
            Ser criança é ter um pai e uma mãe (ou dois pais ou duas mães) que lhe ame e proteja e que respeitem seus limites de intolerância às coisas porque simplesmente são crianças.
            Ser criança é ter um lar para voltar após os folguedos e ser bem acolhido com amor e dignidade.
            Enfim, ser criança com tudo isso é a melhor coisa do mundo.
            Ah! Como eu gostaria de voltar a ser criança.


            Às crianças do Paraná do Yauara – Manacapuru - Amazonas
.                                           

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

ANATÔMICA II
Olhos
Negros, castanhos, verdes, cinzas ou azuis
Emoldurados por lindos e sedosos cílios
Que se abrem e fecham languidamente
Ah! Fulgor incandescente que deles escapam
Que penetra fundo
Congelando a alma
Roubando nossa vontade
Ah! Fagulhas diabólicas
Que me aprisiona o ser
Ofuscando com teu brilho
Ativando minha libido
Enchendo-me de paixão
Ah! Adaga colorida
Que me perfura a pele
Inundando-me de alegria
Deixando-me com uma sede profunda
Num furor momentâneo
Renovada a cada piscada

quarta-feira, 7 de setembro de 2011


ANATÔMICA 1
                Esta série de poemas, se é que se pode chamar assim porque não possuo aptidão alguma para me expor desse jeito, mas vamos lá.  É uma série de 5 que em seu bojo pode ter conotação erótica, mas é apenas uma brincadeira, embora coberta de conteúdo erótico.



 A BOCA

Boca
Rubra,  úmida
Sorridente ou arqueada
Teu toque provoca tremores que não consigo explicar.

Boca
Que conjunto interessante
Lábios, língua, dentes e mucosa...
Lúbricos de sedução
Provocando grande tentação
Embriagando-me de desejo.

Boca
Cuja  língua serpenteia a minha língua
Que brinca sensualmente entre meus dentes
Produzindo calafrios quando me descobre o mamilo.

Boca
Com dentes alvos e brilhantes
Que entre os lábios me ofuscam
Com tão estonteante poder
Que me transporta aos céus ao morder minha carne ardente.

Boca
Os lábios róseos me enlouquecem
Quando tocam de leve meus olhos, minha face...
Que se entreabrem em lascivo oferecimento
E me quedo vencido a beijar

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A GÊNESE

A GÊNESE
                Ela era má!
Mais muito má mesmo.   Não ficava satisfeita enquanto não maquinasse uma maldade logo depois de acordar.  Ficava ruminando com que vizinho ia encrencar ou quem lhe dirigiu, mesmo que hipoteticamente uma ofensa para arrumar uma briga para mais tarde e satisfazer a sua sanha em fazer o mau.  Ela era tão amarga que por duas vezes tentara matar seu único filho, que fora concebido também para causar mal a outra pessoa.
Sua maldade era tão grande que às vezes ela própria tinha medo.  Quando havia uma criança de colo por perto, ela pedia encarecidamente que a afastassem para não “dar quebranto”.  Evitava olhar as plantas delicadas que morriam com sua passagem, inclusive as plantas “fortes” como a arruda por exemplo.
A primeira vez que tentou matar o seu filho ele tinha apenas três anos de idade. Foi salvo pela avó que acudiu a criança e lhe bateu com uma vassoura, pois não tinha força para encher a mão.  _ Por que tu fizeste isso sua filha da puta! Quer matar o teu filho? _Eu quero que esse diabo morra, dizia ela. _Então porque tu procuraste filho, para fazer isso? _ Sua puta de merda! E o menino coitado, já estava ficando roxo em virtude do esganamento e fora salvo graças ao aviso dado por um irmão dela ao qual ela nutria um ódio mortal. Ela odiava aos irmãos com todas as suas forças e fazia de tudo para vê-los sofrer.
A segunda vez foi à faca, ele já tinha treze anos e a avó não estava perto e não tinha ninguém para acudir o menino.  O jeito foi fugir para a casa do tio, irmão mais velho. _ Tio eu não quero mais voltar para lá, não. Ela vai me matar. Quinze dias depois o tio o levou de volta e lançou uma ameaça: Se tu tentares fazer aquilo de novo eu te mato sua filha da puta! Agora pede desculpas ao teu filho que ainda é uma criança. Os dois (mãe e filho) choraram abraçados e a coisa se resolveu por um tempo.
Quando mais jovem, sua forma praticar o mal consistia em inventar histórias envolvendo os seus irmãos menores por parte da mãe para que eles apanhassem, quando não ela mesma se encarregava da tarefa por qualquer coisa.  Ela batia com que tivesse nas mãos. Mas o que ela mais gostava era de dar socos vindos de cima para baixo e ver o sangue descendo dos narizes dos pobres e indefesos.  Se contassem para a mãe, a porrada era segura. Podia esperar um beliscão daqueles que levantam a pele, um puxão de cabelo que quase deixava a criança careca, fora outras atrocidades que não dá para colocar neste texto.
Ela tinha preferência sexual por mulheres e engravidou do marido de uma vizinha com quem tinha um caso amoroso só para se vingar e escondeu essa gravidez de todos em sua casa (ela era meio gorda e costumava usar umas batas folgadas e ninguém desconfiava).  Quando a mãe descobriu, a bolsa tinha acabado de estourar.  Como não tinha passagem, a pobre criança teve que vir ao mundo na base do fórceps e sem nenhum cueiro para cobri-la. Tudo foi improvisado.
Sempre se meteu com as pessoas mais perigosas de onde morava: traficantes, ladrões, matadores de aluguel, putas de toda a qualidade que possa se imaginar, embora não tivesse outros vícios que não o de fazer maldades.  Com esses “amigos” tramou a morte do próprio irmão de sangue não se sabe por quê. Sorte ele ter percebido antes e tomado outro caminho para chegar a casa.
Ela era má! Má! Má em toda a sua essência, mas nem sempre foi assim.
Ela nasceu uma criança linda, de olhos negros e graúdos, emoldurados por cílios enormes e sobrancelhas aveludadas. Era muito branca, de bochechas rosadas como às de um querubim e seus cabelos negros realçavam ainda mais a alvura da pele. Era a caçula da família. O pai desaparecera e fora dado como morto. A coitada era órfã sem ter conhecido o pai.
A mãe, sem ter como criar os dois filhos sozinha, resolvera casar novamente com um homem maravilhoso que conhecera em uma festa e que prometera criar as crianças como sendo seus próprios filhos. A sogra praguejou em surdina: Esse “baitola” quer ser “jacamim”. Onde já se viu pegar mulher arrombada e ainda com curumim para criar?
Foram nascendo os filhos desse casamento.  O primeiro foi arrancado do colo da mãe logo depois de nascer.  O avô, seguindo uma tradição ridícula do nordeste disse: O primeiro filho homem do meu primeiro filho homem sou eu quem cria.
A mãe, no cuidado com o bebê que chegara depois, deixava a filha aos cuidados do irmão mais velho que era tão criança quanto ela. Foi quando o namorado de sua tia postiça, um rapaz simpático que era taxista a encontrou sozinha próximo à janela. _ O que tu fazes ai? Tá sozinha? Tô sim senhor, ela respondeu com sua voz infantil.  Ele subiu a escada tirou o enorme pênis para fora da calça e lhe disse: Tu gostas? É um pirulito, pode chupar, vai!  Ela hesitou e disse: mamãe falou que isso é imoral e pecado. _ Tua mãe não sabe de nada, pega logo! Ninguém vai ver.
Ele levantou a criança ao colo, tirou-lhe a calcinha encardida e meteu o pênis entre suas coxas minúsculas e iniciou o vai e vem frenético com a criança ao colo e gozou toda a sua sujeira no vestidinho da menina.  Sorte que uma tia viu e deu o alarme.  A parentada se reuniu para da uma surra no filho da puta, mas ele fugiu.  Logo depois ele se casou com a Irmã de seu padrasto e ficou por isso mesmo. Deixaram até de falar com a tia que deu o alarme. Posteriormente, disseram que a criança havia se insinuado para o tarado. Imagine com apena quatro anos de idade ela ia saber o que era aquilo.
O tempo foi passando, ela foi crescendo e a família crescia junto. Já eram três crianças menores para dar banho, vestir e pentear e ainda estudar no Grupo Escolar próximo de casa. Ela não dava trabalho.  Não gostava muito de estudar, mas adorava bordar e fazer trabalhos manuais.
Um dia, quando ela tinha doze anos, enquanto a mãe lavava roupa na cacimba na companhia dos menores, ela estava só em casa quando o padrasto chegou (era uma criatura hedionda que todos na casa temiam). Foi para o quarto, pois era seu costume deitar depois do almoço antes de voltar ao trabalho. Lá de dentro ele gritou: Vem cá e traz um cigarro pra mim! Ela entrou timidamente no quarto e ele já estava nu em pêlo (ela teve nojo de suas cicatrizes de uma queimadura severa sofrida há alguns anos). Tira a roupa ou tu apanhas! Ela não teve outra alternativa  senão obedecer pois sabia que a ameaça era real. Ele se meteu dentro da pobre criatura indefesa e ela não emitiu um barulho sequer. O estupro estava consumado! O que ele não contava é que uma das crianças menores viu e foi correndo à cacimba contar à  mãe. _ Mamãe, o papai ta “fazendo imoral” com a maninha. A mãe largou tudo e foi la´. Arrombou a porta com o pé e viu a cena nauseabunda e, com uma vassoura bateu nele e nela. Seu filho da puta! Como tu tens coragem de fazer uma safadeza dessas com tua filha! Seu ordinário! E a vassourada cantando no centro. Ainda se podia ver o pênis bambo escondido sob o lençol pingando de esperma.  Essa cena ficara gravada apenas na memória de quatro pessoas: O filho da puta estuprador, a mãe horrorizada com a cena, a pobre criatura agente passiva da ação e a criança que presenciou tudo e soou o alarme.  Isso ficou abafado e ninguém, mas ninguém mais soube.
A situação para ela ficou insuportável. O padrasto não queria mais ela na casa em virtude do ocorrido.  A mãe não podia fazer muito a não ser aceitar a situação para que o resto da filharada não morresse de fome (que era grande e sempre presente).  Ela teve que ir embora de casa e depois foi internada numa instituição para meninas infratoras onde aprendeu tudo o que não presta.  Foi ali que ela experimentou o corpo de outra menina.
E assim ela se tornou mulher. Amarga, de mal com a vida.  Fechou-se num mundo doentio que ia cada vez mais tomando conta de seu ser e o único desejo que lhe vinha à mente (talvez de forma inconsciente) era a vingança contra aquele que lhe desgraçara a vida: o padrasto que lhe roubou a infância, a virgindade, a liberdade e o direito de ir e vir.
Então, primeiro ela se voltou contra os irmãos mais novos (filhos de sua mãe com o padrasto) e depois com o resto do mundo.
Quem é o culpado no caso dessa pobre criatura que só reage contra as mazelas que a vida lhe ofereceu?