Hoje, timidamente, inicio uma fase de minha vida onde mostrarei parte de meu cotidiano (e de outros) bem como experiências, vivências, angústia, alegria, tristeza, desabafo e coisas boas e engraçadas porque ninguém é de ferro.
Nasci!
Na verdade fui jogado no mundo sem dó nem piedade, numa miséria que parecia infinda. Minha mãe dizia que pobre só consegue coisas estudando....e muito. Embora eu não gostassse pois era humilhante ir para a aula nos anos 70 com uma única passagem para ir e oura para voltar levando em consideração que eramos 3 crianças para compartilhar a mesm passagem de ônibus. Muitas vezes o cobrador não permitia (não por cupa dele, mas do patrão que exigia e isso em plena época da ditadura) e a única forma de demonstrar o medo de não cheger em casa era chorar até que alguma alma caridosa se compadecesse e mitigasse nossa dor pagando a passagem com o pouco dinheiro que deveria ter no bolso.
E asssim foi até que hoje sou formado em 2 cursos superiores na tão sonhada Federal.
O medo de não ter dinheiro para voltar me acompanha até hoje, pois mesmo tendo os vale trasporte, sempre carrego em separado em algum canto da bolsa o dinheiro para continuar pagando àquela passagem que me fez chorar tanto.
Meus 2 irmãos (gêmeos) ficaram pelo caminho, construiram e destruiram família, tiveram filhos que não conseguiram também como eles chegar lá. Gostaria de poder conversar de igual para igual com todos os meus irmãos (5 além de mim) mas sou sempre rotulado de intelectual e isso talvez nos afaste um pouco,
Tenho pouco contato com meus irmãos. gostaria de estar um dia junto à eles para relembrar a farofa feita com um único que a pobre Vamp (era o nome de nossa galinha de estimação) esforçadamente punha por dia.
Certa vez cheguei da aula e o almoço era um ensopado de galinha. Chorei muito porque era a Vamp (uma galinha preta com um topote de penas na cabeça) que estava na panela.
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