O ENCONTRO
Sabe aquelas pessoas incrível e despretenciosamente belas, tanto por dentro quanto por fora? Ele era assim. Dono de um par de olhos castanho – amarelado, emoldurado por cílios enormes e espessos que cativava a quem quer lhe olhasse com profundidade.
Nós nos conhecemos na faculdade e tínhamos idades bem diferentes. Nossa turma era eclética: tinha alunos com idade que variava entre 17 e 40 anos, embora poucos soubessem disso (quase não falávamos dessas coisas desconcertantes).
Ele tinha um corpo perfeito (era jogador de futebol profissional) e nós ou estávamos abaixo ou muito acima do peso ideal. Ele não se importava com isso. Conversava com todos e ria com todos sem distinção nenhuma (algumas pessoas de nossa turma tinham o nariz em pé ou se achavam melhores e não falavam com todos – é claro que isso acabou com o tempo).
Outro dia, depois de muitos anos ele encontrou-me no supermercado. Deu-me um abraço como era seu costume e conversamos longamente sobre nossos colegas e sobre trabalho. Seu corpo já não era mais o mesmo, mas ainda continuava inteiro. Mostrou-me a foto de seu filho e disse que estava passando ali por acaso e resolveu comprar algumas coisas que estavam-lhe faltando em casa.
Fiquei um tempo falando com e senti vontade de pedir o numero de seu telefone para conversarmos outra hora mas barrei numa coisa muito chata: por mais que tentasse não lembrei o nome dele e fiquei me martirizando por isso. Ele é uma daquelas pessoas boas de se ver mas fiquei com vergonha de lhe perguntar o nome. Porra! Que merda! Como posso esquecer uma coisa assim..... Aliás, esqueço tudo pra variar inclusive o que tinha me levado àquele supermercado. Foi quando parei entre as gôndolas e fiquei exercitando a memória com os dedos nas têmporas. Finalmente seu nome apareceu em minha memória: CÉLIO. Corri para ver se ainda lhe encontrava mas ele já tinha ido embora infelizmente. Seria legal receber aquela pessoa em minha casa, relembrar as coisas boas que junto passamos, nossos sonhos não realizados e realizados, mas infelizmente fui traído pela memória. Tenho o pressentimento que ele esquecera meu nome também. Agora já é tarde. O que me vale é que Manaus é ovo e aqui até as pedras se encontram.
Vou lhe encontrar de novo em algum lugar Célio, e prometo dessa vez não esquecer seu nome.
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