sábado, 22 de outubro de 2011

NO COLETIVO – 1
            Sou usuário do sistema de ônibus coletivo (infelizmente) e às vezes passo por situações que valem a pena serem publicadas porque também fazem parte de uma catarse que acho que é geral.
            É sábado, onze horas da manhã. O sol está tinindo, pois estamos em pleno mês de setembro. Vento? Nem em sonho. O ar está parado e o movimento só das pessoas num frenesi para gastar e voltar logo para casa e para seus ventiladores barulhentos e aparelhos de ar condicionado empoeirados e gotejantes.
            No ônibus, entra um menino pela porta da frente com uma caixa contendo saquinhos de balas meladas e grudentas de mangarataia e pastilhas coloridas de vários sabores (todos artificiais – é claro). Ele começa a distribuir, ou melhor, jogar seus produtos no colo das pessoas que estão sentadas (algumas tão absortas em seus pensamentos que se assustam com a ação).
            “Siçi”! Ele fala enquanto joga as balas no colo da pessoa. Esse “siçi” é uma alusão de longe da palavra licença. E vai repetindo: “siçi”e joga mais um saquinho da horrorosa bala de mangarataia feita sabe-se lá como. “Siçi”, “siçi”, “siçi” até chegar ao fundo do ônibus quando começa a recitar um verso ridículo que é repetido por todos os meninos e adolescentes que se encontram nessa situação.
            _Senhoras e senhores passageiros! Carinhosamente (porra nenhuma, o troço foi jogado no colo das pessoas) deixei com alguns de vocês estas deliciosas pastilhas de vários sabores juntamente com estas deliciosas balas de mangarataia que é medicinal e acaba com aquele (aí o menino faz uma pausa que chega ser cômica) ram – ram – ram da garganta por uma pequena quantia de cinqüenta centavos, duas por um real (é lógico, né?). E então ele lança no ar uma perigosa ameaçar: É melhor vender do que roubar! Isso comove um bocado de gente que começa a se coçar a procura da moeda afim de evitar a tragédia que se deslinda em sua mente (o pivete lhe roubando a carteira).
            Pense ter que passar por tudo isso em um ônibus lotado com a temperatura no asfalto a 50 graus. Suficiente para fritar um ovo. E o calor insuportável dentro do coletivo que nos faz suar em bicas, ainda mais com aquele sujeito fedorento esfregando a braguilha no seu braço.
            Essas situações são de matar qualquer cristão ou ateu, mas nós que precisamos usar esses coletivos temos que agüentar.
            Até quando? Haja saco, né

Um comentário:

  1. Gosto da forma direta e sem artifícios que você escreve! merece abraços bem apertados, sempre!!!

    ResponderExcluir