NO COLETIVO – 1
Sou usuário do sistema de ônibus coletivo (infelizmente) e às vezes passo por situações que valem a pena serem publicadas porque também fazem parte de uma catarse que acho que é geral.
É sábado, onze horas da manhã. O sol está tinindo, pois estamos em pleno mês de setembro. Vento? Nem em sonho. O ar está parado e o movimento só das pessoas num frenesi para gastar e voltar logo para casa e para seus ventiladores barulhentos e aparelhos de ar condicionado empoeirados e gotejantes.
No ônibus, entra um menino pela porta da frente com uma caixa contendo saquinhos de balas meladas e grudentas de mangarataia e pastilhas coloridas de vários sabores (todos artificiais – é claro). Ele começa a distribuir, ou melhor, jogar seus produtos no colo das pessoas que estão sentadas (algumas tão absortas em seus pensamentos que se assustam com a ação).
“Siçi”! Ele fala enquanto joga as balas no colo da pessoa. Esse “siçi” é uma alusão de longe da palavra licença. E vai repetindo: “siçi”e joga mais um saquinho da horrorosa bala de mangarataia feita sabe-se lá como. “Siçi”, “siçi”, “siçi” até chegar ao fundo do ônibus quando começa a recitar um verso ridículo que é repetido por todos os meninos e adolescentes que se encontram nessa situação.
_Senhoras e senhores passageiros! Carinhosamente (porra nenhuma, o troço foi jogado no colo das pessoas) deixei com alguns de vocês estas deliciosas pastilhas de vários sabores juntamente com estas deliciosas balas de mangarataia que é medicinal e acaba com aquele (aí o menino faz uma pausa que chega ser cômica) ram – ram – ram da garganta por uma pequena quantia de cinqüenta centavos, duas por um real (é lógico, né?). E então ele lança no ar uma perigosa ameaçar: É melhor vender do que roubar! Isso comove um bocado de gente que começa a se coçar a procura da moeda afim de evitar a tragédia que se deslinda em sua mente (o pivete lhe roubando a carteira).
Pense ter que passar por tudo isso em um ônibus lotado com a temperatura no asfalto a 50 graus. Suficiente para fritar um ovo. E o calor insuportável dentro do coletivo que nos faz suar em bicas, ainda mais com aquele sujeito fedorento esfregando a braguilha no seu braço.
Essas situações são de matar qualquer cristão ou ateu, mas nós que precisamos usar esses coletivos temos que agüentar.
Até quando? Haja saco, né

Gosto da forma direta e sem artifícios que você escreve! merece abraços bem apertados, sempre!!!
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